Especial Diocese de Pinhel

Pinhel assinala 250 anos da criação da Diocese e da elevação a cidade

Pinhel foi Diocese de 1770 a 1882, e teve a sua sede precisamente em Pinhel, elevada para o efeito à categoria de cidade a 25 de Agosto de 1770.

Foi criada pelo Papa Clemente XIV, a pedido do rei D. José, em carta de 4 de março de 1770, que, para esse efeito, mandou erigir em cidade a futura sede de bispado.

O pedido é deferido pelo Papa Clemente XIV, que decreta em 21 de Junho desse ano a sua criação, e em 10 de julho do mesmo ano a erecção do bispado.

Entre as razões apresentadas pelo Rei português ao Papa invocava-se a disforme e prejudicial extensão dos bispados de Viseu e de Lamego, que compreendiam a maior parte da vasta província da Beira Alta. Ambos cederiam à nova diocese as zonas fronteiriças: de Viseu os arciprestados de Pinhel, Trancoso e Castelo Mendo, num total de 92 paróquias, e de Lamego algumas paróquias de Entre Coa e Távora e de Riba Coa, num total de 133 paróquias. Pinhel ficaria com 225 paróquias.

Para além dos motivos públicos apresentados ao Papa, outros havia “particulares”, expostos pelo Marquês de Pombal ao Embaixador em Roma, Francisco de Almada de Mendonça. Foram criadas por essa altura outras novas dioceses em Portugal: Aveiro, Beja, Bragança, Castelo Branco, Pinhel e Penafiel.

Segundo D. Manuel Clemente (que foi bispo titular de Pinhel), as razões que levaram Pombal a criar estas novas dioceses não foram apenas de reordenamento territorial, mas tinham a ver com a luta travada contra a grande nobreza e com a absolutização e ilustração de todo o poder, inclusive o eclesiástico.

Para executor da Bula de erecção da diocese foi nomeado, por indicação régia, António Bonifácio Coelho, professor de Cânones em Coimbra e deputado do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, sendo para o efeito nomeado Arcebispo de Lacedemónia.

Mas não foi fácil a ocupação da nova diocese de Pinhel. O primeiro Bispo não chegou a tomar posse do lugar. D. Frei João Rafael de Mendonça, filho do Conde de Vale dos Reis e neto materno do Marquês de Angeja, foi nomeado Bispo de Pinhel a 7 de Agosto de 1770. Mas só seria confirmado pelo Papa como Bispo de Pinhel a 17 de Junho do ano seguinte, já depois de ter sido transferido para a vacante sé do Porto no dia 27 de Maio de 1771. O primeiro Bispo efectivo da nova diocese de Pinhel será D. Cristóvão de Almeida Soares de Brito, da Casa de Alentém, no Minho. Seguiram-se-lhe José António Pinto de Mendonça Arrais (1782-1797, Bernardo Bernardino Beltrão (1797-1828), Leonardo de Sousa Brandão (1832-1838). Com a saída deste ultimo, foram nomeados uma série de Governadores do Bispado, e só em 1874 foi nomeado António Mendes Bello (1874-1881), futuro Cardeal Patriarca de Lisboa. O último Vigário Geral e governador do Bispado seria o P. João António Caldeira de Araújo, antigo professor do Seminário de Pinhel e abade de Nossa Senhora da Assunção da Atalaia.

A não nomeação de sucessor para D. Leonardo Brandão, e o recurso sucessivo a Governadores de Bispado explica-se pela disposição dos liberais de reduzirem o número de dioceses no país, fazendo-as coincidir com as províncias do Reino. Mas só em 1882, Leão XIII lhe corresponde com a Bulla Gravissimum Christi Ecclesiam regendi et gobernandi munus, de 30 de Setembro. A aprovação régia ocorreu a 14 de Setembro de 1882, sendo extintas as cinco dioceses de Aveiro, Castelo Branco, Elvas, Leiria e Pinhel, e ficando o total de dioceses reduzido a 12. A diocese de Pinhel foi assim incorporada na diocese da Guarda, que passou a ser a terceira maior do país em paróquias (357) e a quinta em número de paroquianos (287.771).

Durara pouco mais de um século a diocese pombalina de Pinhel, criada com desígnios mais políticos do que pastorais, e suprimida também mais por motivos políticos que eclesiais. A sua existência foi atravessada por algumas convulsões civis e eclesiásticas, tais como as guerras peninsulares, a instauração do liberalismo, a guerra civil, e o cisma religioso, para já não falar das revoltas políticas e sociais dos primeiros tempos do liberalismo.

A Sé Catedral de Pinhel era a agora Igreja de S. Luís, actual Igreja paroquial, que havia sido edificada no século XVI como capela do antigo convento das Clarissas de São Francisco.

Depois da extinção do bispado em 1882, o edifício do Paço Episcopal foi comprado pela Câmara Municipal de Pinhel, tendo sido utilizado até à actualidade para diversos fins.

Como diocese mantém, ainda, o nome na lista universal. Sendo uma diocese sem território, Pinhel continua, pois, a ser uma Sé titular, ou seja, circunscrição eclesiástica histórica, existindo apenas como título.

O ordinário de uma sé titular é conhecido como “bispo titular”, “bispo de anel”, ou “bispo sem bispado”, não tendo jurisdição própria, sendo subordinado e sufragâneo do prelado da diocese em que se encontra, podendo coadjuva-lo.

O título de bispo titular de Pinhel continua a ser usado por bispos auxiliares, à semelhança do que sucede com outras dioceses históricas de Portugal extintas.

Referimos como bispos titulares de Pinhel: Thomas Kiely Gorman (1969-1971); Mervyn Alban Alexander (1972-1974); Hugo Mark Gerbermann (1975-1996); Manuel José Macário do Nascimento Clemente (1999-2007); Guillermo Martín Abanto Guzmán (2007-2019) e Jorge Estrada Solórzano – México (2013-2019)

Aniversário da Diocese de Pinhel

Para celebrar os 250 anos da diocese de Pinhel, a paróquia, em parceria com a Camara Municipal, tem previstos uma série de eventos e acções, das quais se destacam: Programação intensa entre 21 de Junho, data da criação da diocese e 12 de Julho, domingo a seguir à erecção do bispado (10 de Julho), com concertos de música de inspiração cristã, reavivar de tradições e momentos de espiritualidade; celebração comemorativa com presença do cardeal patriarca, D. Manuel Clemente, antigo bispo titular de Pinhel (1999 e 2007); Exposição temporária sobre a diocese de Pinhel, com cópia do documento da sua criação; jornadas e conferências alusivas; Edição de livro de bolso sobre a diocese de Pinhel.