ENTREVISTA: Fábio Carrola Pontífice ordenado sacerdote no dia 3 de Julho, na Sé Guarda

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Fábio Carrola Pontífice, ordenado sacerdote no dia 3 de Julho, na Sé Guarda, é natural de Tortosendo.
Estudou na Escola Primária Montes Hermínios, Escola básica 2/3 do Tortosendo, Externato de Nossa Senhora dos Remédios, Universidade Católica Portuguesa.
Nos tempos livres, entre outras coisas, gosta de ler e passear de bicicleta.

A GUARDA: Quem é Fábio Pontífice um dos dois novos sacerdotes da Diocese da Guarda, ordenado no dia 3 de Julho?

Fábio Pontífice: Nasci na Covilhã, a 5 de Novembro de 1995. Cresci e vivi no Tortosendo, mais concretamente no lugar de Casal da Serra, aí tenho as minhas raízes. Nasci no seio de uma família católica, e por isso, recebi o baptismo muito cedo. Quando chegou a idade de ir para a catequese, comecei a integrar-me de forma activa na minha paróquia e também no grupo coral. Com o passar do tempo o meu pároco foi-me interpelando no sentido de alimentar em mim o entusiasmo de entrar para o seminário e de ser padre. E já quando em adolescente sentia uma inquietude, apercebi-me que não me podia deixar ficar e decidi experimentar mais de perto como é seguir Jesus na missão de discípulo. Entrei para o pré-seminário e passado um ano para o seminário menor com 16 anos. O essencial na minha vocação julgo que foi a proximidade com Cristo. Muitas vezes questionava-me o que o Senhor queria de mim. E Ele fez com que por meio de bons exemplos eu me decidisse a entrar para o seminário.
Frequentei durante três anos o seminário menor, onde hoje posso ver que o principal na primeira etapa do meu discernimento vocacional foi o compromisso. Entrando posteriormente, em 2015 para o seminário maior, integrado no seminário interdiocesano em Braga, do qual tenho gratas recordações.

A GUARDA: Como viveu o dia da ordenação?

Fábio Pontífice: O dia da ordenação foi um dia de acção de graças, no qual tive oportunidade de ver Deus a guiar a história da minha vida. Mas também, de confirmação da caminhada para a qual me tinha vindo a preparar durantes os últimos anos, até aquele momento. Permanecendo sempre gravado como algo que ficará a ressoar em tom de vida nova.

A GUARDA: O que é que o motivou a ser padre. Foi uma escolha fácil ou nem por isso?

Fábio Pontífice: Posso afirmar que o chamamento não foi algo repentino, foi sim preparado. Desde pequeno o meu pároco chamo-me para ajudar à missa. Com o passar do tempo fui-me integrando de forma mais plena na condução do rebanho de Deus. Entusiasmando-me, de modo a querer um dia dar o passo em frente, na direcção de Cristo bom Pastor. Penso que como todos os grandes passos na vida, a recepção do sacramento da ordem, foi um acontecimento ponderado e cultivado com bastante cuidado. Foi sim fomentado em ambientes que se proporcionassem a que tal motivação.
Na vivência em família, desta minha escolha digo que desde o princípio receberam bem a notícia, tal como o acompanhamento e presença motivadora que sempre me proporcionaram ao longo do percurso vocacional, que se tornaram importantes para chegar onde estou.

A GUARDA: No percurso académico quais as escolas por onde passou?

Fábio Pontífice: O meu percurso académico foi quase todo desenvolvido no Tortosendo. Completei o ensino primário na escola Montes Hermínios, seguindo-se o ensino básio, na escola Básica 2º e 3º ciclo, sediada na mesma vila. Transitando para o Externato de Nossa Senhora dos Remédios onde realizei os estudos do secundário aprofundado a vertente de Ciências e Tecnologia. Quando completei o 12º ano ingressei na Universidade Católica Portuguesa, em 2015, no curso de mestrado integrado em teologia, que desenvolvi ao longo de cinco anos, que depois foi completado com meio ano de formação pastoral no seminário interdiocesano de são José em Braga.

A GUARDA: Desde que terminou a formação académica e depois da ordenação de Diácono onde desenvolveu a acção pastoral?

Fábio Pontífice: Quando terminei em Fevereiro de 2021 o meu percurso académico, fui colocado em Seia a fim de desenvolver o meu estágio pastoral. Entrei em Seia no final do mês de Abril, onde pude tomar contacto com o dinamismo dessa paróquia. Participando e envolvendo-me nos seus diferentes movimentos, tais como o Apostolado de Oração. Pude ainda tomar contacto com a realidade do Centro Paroquial, da catequese e do grupo de acólitos. Por lá estive durante meio ano.
Já em meados de Outubro fui transferido para o arciprestado de Trancoso-Celorico, ficando como colaborador pastoral de sete paróquias, a saber: Cogula, Carnicães, Vila Garcia, Tamanhos, Falachos, Torres e Vale do Seixo.
A GUARDA: O que é que mais o tem marcado nas comunidades em que está a colaborar, nomeadamente na envolvência dos mais jovens na vida das paróquias?

Fábio Pontífice: Nas comunidades onde estou a colaborar, numa análise transversal, sente-se o peso da desertificação do interior do país. Não obstante da falta de pessoas que se pode constatar, ainda vão surgindo alguns jovens que se têm tentado motivar, e integrar em comunidades cada vez mais escassas de massa humana.

A GUARDA: No domingo, 17 de Julho, celebra Missa de acção de graças no Tortosendo. Vai ser um momento marcante depois da ordenação?

Fábio Pontífice: O caminho para Deus, é algo que se faz em tons de agradecimento e louvor que produzirão certamente uma doação generosa à pergunta do seguimento de Cristo. Poder celebrar Missa na minha terra natal com todos os meus familiares e conterrâneos vai ser um dos momentos altos do princípio do meu ministério.
Sintonizar a minha vida com o compasso da doação de Cristo sacerdote que se faz pão repartido para todos, torna-se um desafio mas também uma grande alegria. Poder celebrar Missa no Tortosendo é avivar o sentimento de que Deus continua a caminhar na vida da minha paróquia, e sinal que a própria paróquia está viva, no sentido de dar à vida mais um padre para a Igreja de Cristo.
Reviver os espaços onde cresci e me fortaleci na fé em Deus e agora renovar a sua presença no meio do povo da minha terra será uma grande graça, porque poderei certamente testemunhar de mais perto a proximidade e apreço dos meus conterrâneos por um filho da terra que neste momento foi ordenado padre.

A GUARDA: Como padre, quais os projectos que gostaria de concretizar?

Fábio Pontífice: Estando agora no início do meu ministério, penso que é tempo de idealizar e começar a tentar construir. Projectos concretos, definidos a longo prozo, com franqueza digo que ainda não os tenho. No entanto, com o passar do tempo certamente surgirão desafios aos quais tentarei dar resposta, como tenho feito até ao momento.
Na realidade social em que vivemos a própria vocação surge como sinal de contradição. Julgo que, o maior projecto que poderei concretizar será a realização do meu ministério vivido em plenitude com Deus em favor dos outros e da causa do Evangelho.

em Jornal A Guarda